quarta-feira, 11 de março de 2020

UFMA celebra trajetórias de vida e acadêmica de formandos na Colação de Grau do CCET e CCH


SÃO LUÍS - “Passei cinco anos acompanhando meu filho durante todos os dias de aula, seminários e palestras do curso de Letras, com habilitação em Inglês. Se era preciso ficar o dia todo, por conta das atividades acadêmicas, eu ficava com ele, almocei várias vezes no Restaurante Universitário com ele. A luta foi grande, mas a vitória foi maior”, relembrou emocionado, Eurimar Dias de Moraes, pai de Jardel de Oliveira Moraes, primeiro deficiente visual a se graduar no curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão. 
O graduando relatou que a Diretoria de Acessibilidade contribuiu muito em sua formação. “Sentia muitas dificuldades em absorver o conteúdo dos textos e responder às questões de prova, principalmente na disciplina de Libras. Pensei várias vezes em não fazê-la, mas eu consegui cursar e concluir com um bom desempenho, com o apoio de um intérprete, fornecido pelo núcleo”, comentou.
Assim como Jardel, cerca de 238 estudantes de 22 cursos do Centro de Ciências Humanas (CCH) e do Centro de Ciências Exatas e Tecnologias (CCET), após dias e noites de muita luta em suas jornadas acadêmicas na Universidade, puderam sentir a sensação de dever cumprido e de felicidade na solenidade de Colação de Grau, realizada na noite de ontem, 10, no Centro de Convenções da Cidade Universitária Dom Delgado.
“Espero ter deixado um legado para os estudantes do curso de Letras e para os alunos deficientes visuais que sonham em entrar em dos cursos da UFMA. Quero muito trabalhar com o ensino da língua inglesa voltado para os deficientes visuais do estado”, afirmou Jardel Moraes.
A Universidade tem contribuído, ao longo de 53 anos, para a formação e o auxílio aos seus estudantes. Um exemplo disso são as bolsas em várias modalidades que são ofertadas pela Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proaes), que ajuda vários alunos em suas despesas pessoais e acadêmicas. Um desses auxílios amparou o graduando em música Amós Souza Nóia.
“Sou pai de família e sustento a minha casa. Na época que eu ingressei na UFMA, estava desempregado, e a minha esposa, também. Graças ao auxílio que recebi por meio de um projeto de extensão da Universidade, pude me manter em relação às passagens de ônibus, a alimentação e no sustento da minha família ao longo de dois anos. Foram quatros anos de muita luta e de muitos estudos, sem desistir”, contou Amós.
Não foi diferente com Jonhatam Stanley Gomes Marques, que colou grau no curso de Licenciatura em Música e foi bolsista da Biblioteca Central durante dois anos, pelo programa Bolsa Permanência. “Para muitos universitários de baixa renda, é difícil se manter financeiramente nos cursos, pois são muitas despesas. Muitos acadêmicos acabam desistindo ao longo de sua trajetória, para poder trabalhar”, disse.
Um dos momentos marcantes da festa foi o discurso fervoroso da oradora oficial, Ana Beatriz Ferreira de Oliveira, graduanda do curso de História, que fez um apanhado histórico da trajetória das universidades públicas no Brasil, dando ênfase à UFMA, e enfatizou a luta de centenas de estudantes por uma educação pública de qualidade, a presença de mais mulheres, pessoas de baixa renda, negros, indígenas e GLBTQI+ nos espaços acadêmicos e o movimento contra o feminicídio. “A UFMA foi nossa segunda casa, ou a única para alguns estudantes. Aqui passamos dias e noites, esses prédios e paredes são os nossos lugares de memória”, discursou.
O reitor Natalino Salgado expressou que esse momento é de muita alegria e satisfação para os graduandos, familiares, amigos e todo o corpo docente e administrativo da Universidade. “Estamos devolvendo para a sociedade profissionais com diferentes saberes. Cada discente formado tem uma missão social com este país. O diploma exprime cidadania, emancipação e liberdade, e é disso que o Brasil precisa”, explanou.
Saiba mais
A cerimônia de colação de grau dos alunos que se formaram no segundo semestre de 2019.2 contou com um diferencial em sua programação neste semestre: a execução da feirinha criativa e cultural, projeto desenvolvido por estudantes da Universidade, em parceria com a Proaes, Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) e a Superintendência de Infraestrutura (Sinfra).
“É um movimento organizado e executado por estudantes. A Universidade tem dado todo o apoio e reconhecimento institucional, em termos de logística, treinamento e espaços para o desenvolvimento de suas atividades. É um projeto importante porque fomenta a economia de vários alunos que já possuem algum tipo de trabalho para arrecadar recursos para se manterem na instituição”, comunicou o pró-reitor de Assistência Estudantil, Leonardo Soares.

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